Street photography e alguns textos, porque nunca se sabe o que pode passar pela cabeça ou pela frente.

domingo, 8 de março de 2020

Uruguai em película

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares



© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares


© Marcelo Freda Soares

Fotos analógicas, Kodak Portra 400

sábado, 7 de março de 2020

sexta-feira, 6 de março de 2020

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Carnaval

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Tempo e matéria


Um dia abri um buraco na grama do jardim  e  protegidas em sacola plástica embalei memórias pelo que pudesse ser preservado pelo físico- recortes, moedas e postais. .

Até a folga  espiava pela janela ansioso a passagem do tempo, tentava, sem atenção, decorar o tema, como entender que os corpos são feito de átomos; nêutrons e prótons, logo, mesmo que não percebesse havia matéria a circular pelo quarto.

Pausa, se o dia fosse colorido correria para a amplitude da rua, se nublado, deitaria para pensar na brevidade da vida, mas se chovesse, alívio, convidaria meu irmão para um banho no jardim das dúvidas e segredos.

Qual a hora para a primeira namorada? Chegarei a idade do meu pai?  Saberei criar meus filhos? Terei dinheiro para viver por mim um dia?  Conseguirei passar em todas as provas da vida? 

O tempo no entanto correu pela janela, e outras lições, e muitas, ficaram dispersas ou perdidas.
-Não tão rápido, não tão rápido... 
Foi-se o jardim, a casa com grama, a propriedade com o local exato dos meus preservados.

E assim, mesmo perdido no buraco das memórias, as lembranças  estão soltas como os átomos que sempre tiveram por ali, dispersos desde aquele quarto.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Iemanjá

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares


© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

© Marcelo Freda Soares

sábado, 25 de janeiro de 2020

Discordância dos tempos


A primeira pessoa, sou eu: -seja no pretérito imperfeito ou no presente do futuro, mesmo trocando concordâncias ou  perdido nos advérbios e adjetivos ...  a primeira pessoa sou eu!

Eu.

Custo a encadear a narrativa. Começo com a proximidade da velhice ou com a marca infantil de decisivos passos?

Verbo ser, ou outro verbo? ("To be" em outra língua é um mistério literário, porém, com regras simples liberta o imaginário). 

Estou.

Hoje fui, amanhã não sei. Sou!

Camões nunca seria Quixote, nem Cervantes aproveitaria a malícia de um personagem Rodrigueano, portanto, ler é importante, escrever é desabafo,  mas vivência é o que  pode ser levado.

Eu- primeira pessoa no singular- nasci no momento em que gerei a primeira memória: isso foi ontem, ou, por conta do esquecido, há uma vida.

Renovo-me na dúvida de por quando iniciar o texto.
Há 5 minutos tento.

"Hoje fui, amanhã deixei na segunda pessoa o tempo passado..." 

Agora, bem agora - existo!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Parque

Marcelo Freda Soares

Estas imagens e outras estão no instagram @camafunga
 Experiencia em dupla exposição, foto analógica, Kodak TX 400 por Nikon F3.

Festa da Diversidade Porto Alegre 2019 - Analógicas

  Festa da diversidade 2019  em Porto Alegre, fotos analógicas feitas com Nikon F3, filme Kodak Portra 400 e lente fixa 125mm, reveladas pelo Lab Lab Analógico.

© Marcelo Freda Soares










quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Retomando

Depois de um hiato de quase dez anos, naquele sem querer que faz parte de um novo movimento, voltei ao ímpeto de escrever. Talvez tenha me entusiasmado com as crônicas de um argentino que me foi apresentado, mas o tempo das postagens do Blog do Camafunga,  esquecidas e bloqueadas, inacessíveis, parece querer voltar.

Entre tantos, encontro este texto, e comento com meu filho, hoje um adulto barbado, que sequer lembrava de te-lo escrito,  nem este, nem a maioria dos centenas que preencheram aquele espaço, mas Matheus observa, objetivo e irônico como sempre: "Quais textos? Aqueles que quase acabaram com nosso convívio? Como não lembras se passavas tanto tempo fechado no quarto enterrado no teclado pedindo para não ser atrapalhado?". 

São outros tempos, não tenho a audiência que me acompanhava, nem a oportunidade inesperada de ter feito parte de uma coletânea literária lida em um podcast em Portugal. Virei fotógrafo e esqueci as crônicas, mas entre as antigas revisitadas e algumas que ainda possa  voltar a escrever, vou traze-las novamente a este espaço.


Delivery

"Com licença, foi daqui que pediram calma?

Desculpa mas estamos tendo dificuldades em atender estas novas demandas. Ontem nos pediram tempo, mercadoria rara e escassa, sem pronta entrega, quando chega já é tarde. Quando é por unidade então a  gente tenta, avisa que é bobagem porque depois de pedir um tempo geralmente é porque não tem mais volta, o tempo por si não volta, as pessoas também não esperam, é como dizem, a fila anda. Depois, muitos  nem sabem que uso vão fazer com o tempo, a maioria aproveita mal, custa caro mas não vale nada.

Há quem peça arrego, nossa, como pedem arrego. A primeira vez tivemos que recorrer ao dicionário: "ajuda, implorar perdão". Como carregar isso? Cabe nas costas? Este até pode atrasar porque quem pede espera.  E tem arrego para tudo, para empresa, banco, relacionamento. Na linha financeira tem quem peça por atacado. Tem arrego recorrente, mas esse perde valor e credibilidade. Para quem insiste  tem um kit, acompanhado por pinico. Pedir pinico, embora tenha saído um pouco de moda, é quase a mesma coisa que arrego, mas já sabe, vai  levar mijada.

Pedir água, o que não é literalmente líquido, nos confunde, já  mandamos galão na hora errada. Pedir água é desistir, como abandonar o barco, é um pedido extremo, que geralmente vem depois do arrego mas não pode ser antes do tempo.

Enfim ...
.
Foi daqui que pediram calma?"

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Caminhada

O olhar desvia para evitar  esquinas,
a luz é pouca, mas desenha as sombras que me  fazem  companhia.

O sol, itinerante, muda a duração dos dias,
as pernas, cambaleantes, confundem
a direção,
o espaço,
o tempo... e a poesia.

O que fizeram  com os passos de minhas ruas?
Antes claras, agora  escuras
antes belas,
hoje nuas.

Do olhar
procuro o céu de onde  a luz é breve,
censuro o risco, aviso: “não há passo leve”.

Troco as pernas para não enfrentar segredos,
perco as sombras dos meus arremedos
e fico só

eu
e os medos.

Marcelo Freda Soares

Publicado originalmente em janeiro de 2010